enlightED 2022: saiba como e por quê trabalhar a Cultura Digital em sala de aula

14/12/22

Um dos maiores eventos globais de educação destacou a formação docente como indispensável para a educação pública na Era Digital

 

Sem dúvida, a cultura digital impacta diretamente os rumos da educação. Ainda assim, a inclusão de tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem não pode ser feita sem intencionalidade. Esse foi um dos temas debatidos durante o enlightED Brasil 2022.

“Uma vez que estamos de volta à escola, as tecnologias digitais não podem mais ser pensadas de forma isolada. A inovação na educação é muito mais metodológica do que tecnológica. Certamente, são as estratégias pedagógicas que vão garantir resultados efetivos na aprendizagem dos estudantes”, pontuou Lilian Bacich, diretora da Tríade Educacional.

A especialista em psicologia escolar foi uma das convidadas do evento, realizado em novembro. No Brasil, foi organizado pela Fundação Telefônica Vivo e transmitido on-line. A iniciativa faz parte de uma coalizão que teve início em 2017, na Espanha, e já se configura como uma das principais conferências mundiais sobre educação, tecnologia e inovação. 

Ao longo de dois dias de evento, os convidados debateram temas como cultura digital para as juventudes, combate às desigualdades educacionais e desenvolvimento de competências digitais. Entre as conclusões tiradas, uma delas se destacou: a necessidade de investir em formação docente. 

 

Leia mais: Formação continuada para educadores é prioridade no pós-pandemia

 

Cultura Digital: como a tecnologia pode se aliar à educação pública?

Durante a mesa “A tecnologia como aliada para enfrentar os desafios atuais das escolas”, os professores Lilian Bacich e Luciano Meira reforçaram a importância de construir uma cultura digital a partir de três frentes: reformulação curricular, recomposição de aprendizagem e formação de professores.

“Antes de tudo, a transformação digital exige uma mudança cultural na mentalidade das pessoas. Por isso, desenvolver competências digitais em educadores é fundamental para que eles possam usar as tecnologias para apoiar processos de engajamento e personalização”, ponderou Luciano Meira, professor da Universidade Federal de Pernambuco e cofundador da Joy Education.

De acordo com o especialista em metodologias ativas, as tecnologias digitais podem potencializar as etapas que constituem uma aprendizagem significativa. São elas: engajamento, desenvolvimento de competências e criação de comunidades. Além disso, também ajudam a enfrentar a indisciplina em sala de aula. “Afinal, quando os estudantes encontram uma motivação para aprender, passam a enxergar mais sentido na escola”, acrescenta.

Em complemento, Lilian Bacich recomenda aos educadores trazer os estudantes como aliados nessa curva de aprendizagem com o uso de tecnologias. Ao mesmo tempo em que eles assumem papel de protagonistas, também auxiliam os professores nas atividades propostas. 

“Assim como as competências socioemocionais, a tecnologia não precisa ser trabalhada em uma aula específica. Ambas devem estar presentes em todas as áreas do conhecimento. Dessa forma, os estudantes desenvolvem competências de forma integral e interdisciplinar”, concluiu a especialista.

 

Trabalhe Cultura Digital com a plataforma Escolas Conectadas

Pensando em oferecer recursos para que os educadores possam inserir a cultura digital de forma transversal em sala de aula, a plataforma Escolas Conectadas oferece formações gratuitas que trazem a temática sob diversos ângulos.

Desde narrativas digitais até programação desplugada, os cursos abordam metodologias ativas que podem contribuir para potencializar o aprendizado dos estudantes a partir de tecnologias digitais. Além disso, são certificados e alinhados às competências e habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Confira as formações com inscrições abertas:

 

1. BNCC, autoria e tecnologias digitais: inspirações para criar e aprender

Carga horária: 10 horas

Modalidade: Autoformativo (sem mediação)

Nesta formação, você vai entender mais sobre como as tecnologias digitais podem potencializar a curiosidade e a autoria dos estudantes. A partir de ambientes virtuais de aprendizagem, plataformas, aplicativos e ferramentas, você vai poder trazer recursos gamificados e multimídia para suas aulas. Além disso, todos os módulos estão alinhados às competências previstas pela BNCC. Clique aqui para se inscrever!

Caso queira aprofundar ainda mais essa discussão, recomendamos o curso de 40 horas Escola Digital: tecnologias e currículo, que também está com inscrições abertas.

 

2. Se meu computador pensasse: uma correlação entre a lógica computacional e os problemas do dia a dia

Carga horária: 30 horas

Modalidade: Autoformativo (sem mediação)

O curso aborda a Cultura Digital e o Pensamento Computacional como propulsores da identificação de problemas e da  busca de soluções a partir do raciocínio lógico e da criatividade. A proposta é fazer com que os educadores se familiarizem com essa mentalidade colocando a mão na massa de forma lúdica. Saiba mais e inscreva-se!

 

3. Cidadania Digital: como ela se conecta com a sala de aula?

Carga horária: 10 horas

Modalidade: Autoformativo (sem mediação)

A partir de uma jornada prática, o curso busca introduzir a cidadania digital nas escolas. Assim, os educadores poderão encorajar as crianças e jovens para um uso consciente e responsável da internet. Nele você terá a chance de navegar por artigos, pesquisas e vídeos com especialistas para aprofundar seus conhecimentos sobre o tema. Inscreva-se já!

Se você reconhece a importância da cidadania digital e quer se preparar mais para esta nova realidade digital, confira o curso de 48 horas Cidadania digital: educando para o uso consciente da internet”

 

4. O pulo do gato: criando jogos e animações com Scratch

Carga horária: 30 horas

Modalidade: Autoformativo (sem mediação)

Esta formação propõe a programação em blocos como estratégia de apoio à mobilização e ao desenvolvimento do pensamento criativo, lógico e analítico dos estudantes. Com a utilização do Scratch, uma das linguagens de programação mais populares do mundo, você e seus alunos são convidados a dar os primeiros passos na construção de aplicativos, jogos, animações e outros recursos autorais. Além disso, os educadores contam com uma rede de professores para trocar e aprimorar suas produções durante o período de aprendizagem. Inscreva-se e participe da turma!

Comentários:


Escreva um comentário

Conteúdos Recentes

O que faz um(a) professor(a) nas férias?

Dicas para aproveitar o período de descanso para cuidar de si e, aos poucos, retomar a rotina pedagógicaO período de férias é sempre um convite à reconexão. Depois de um ano intenso, marcado por demandas, projetos, imprevistos – e também muitas conquistas –, enfim chega o momento de desacelerar. Para quem vive a rotina escolar, essa pausa não é luxo, mas sim parte fundamental do trabalho. Cuidar do corpo, da mente e do descanso é o primeiro passo para iniciar bem o próximo ciclo letivo.As férias oferecem esse espaço. É tempo de dormir sem despertador, de recuperar a energia, de estar com quem faz bem, de colocar o corpo em movimento e de criar pequenos rituais que ajudam a reorganizar o cotidiano. São pequenas escolhas que reforçam o autocuidado e reduzem o estresse acumulado ao longo do ano.Como aproveitar as férias priorizando o bem-estar: Crie momentos de descanso real, sem culpa;Invista em atividades que renovam a energia: caminhadas, hobbies, eventos culturais;Busque apoio emocional quando necessário e fortaleça redes de convivência;Desconecte do ritmo acelerado da escola e reconecte-se ao próprio tempo.Mas também existe um outro movimento, tão natural quanto o descanso: aquele momento em que, já em meados de janeiro, a mente começa a se abrir novamente para a escola. Não é sobre transformar as férias em trabalho, e sim permitir que a rotina pedagógica volte devagar, com leveza. Uma leitura despretensiosa, uma anotação de ideia para um projeto futuro, a revisão de um conteúdo ou até a participação em uma formação gratuita e on-line podem ajudar a fazer essa transição de forma tranquila.Como retomar aos poucos a rotina pedagógica:Explore leituras leves sobre temas que inspiram o planejamento pedagógico;Revisite anotações e ideias acumuladas durante o ano;Realize formações curtas e flexíveis, que não pressionem o ritmo das férias;Mapeie objetivos pessoais para o ano letivo de 2026. Teste As férias podem ser esse intervalo que recarrega, reorganiza e abre espaço para um início de ano mais equilibrado. Ao cuidar de si e acolher o próprio tempo, é possível chegar a 2026 com mais disposição, presença e clareza para enfrentar novos desafios dentro e fora da sala de aula.

0

Assista à Retrospectiva Escolas Conectadas 2025

Alerta de spoiler: você levou o prêmio principal!Em 2025, os educadores brilharam como verdadeiros protagonistas do cinema. Ao longo do ano, a plataforma Escolas Conectadas apoiou histórias dignas de vencer um Oscar. Por isso, nos inspiramos nas premiações do cinema para reviver os melhores momentos dessa superprodução da educação. Afinal, no palco das escolas, quem brilhou de verdade foram os educadores que nos acompanharam ao longo de mais um ano! Um elenco que inspira, ensina e muda histórias todos os dias.Confira a seguir uma prévia da Retrospectiva Escolas Conectadas 2025, e clique no botão abaixo para assistir na íntegra. Alerta de spoiler: você levou o prêmio principal!😉

0

Projeto utiliza poesia para incrementar relação da escola...

A iniciativa ‘Versos do nosso chão’ ganhou asas após professor realizar o curso gratuito Metodologias ativas: aprendizes protagonistasEm uma escola localizada no assentamento Caxirimbu, na cidade de Caxias, interior do Maranhão, a poesia encontrou um caminho diferente para nascer. Em vez de vir apenas dos livros, ela passou a brotar das memórias e da vida dos próprios estudantes.Assim surgiu a iniciativa “Versos do Nosso Chão”, criada pelo professor de Língua Portuguesa Luís Lima, que acredita que a literatura pode ser um espaço de reinvenção do mundo e de afirmação da identidade. “O projeto foi concebido para valorizar a poesia como forma de expressão cultural e dar voz aos alunos e à comunidade local, resgatando memórias, tradições e experiências do campo”, afirma o educador.Mediação e autoriaO impulso inicial veio de uma preocupação concreta. Após a pandemia, Luís percebeu que “a questão da leitura se complicou mais ainda na minha escola”. Era preciso criar novas pontes entre os estudantes e o ato de ler. Assim, antes de despejarem versos no papel, os jovens mergulharam em obras de autores ligados ao território e à cultura popular, como Cora Coralina e Patativa do Assaré. Depois, saíram para a comunidade: entrevistaram moradores, conversaram com artistas locais, visitaram diferentes expressões culturais e religiosas. Tudo isso para que, ao escrever, pudessem refletir criticamente sobre sua própria realidade. “Vamos romper com a prática de pegar uma leitura já consagrada e praticamente a recriar; vamos ler essas obras para embasar as nossas poesias”, explica o professor.E funcionou. A sala de aula se abriu para novas vozes – inclusive de estudantes mais tímidos. “Quando eu falava para eles, sempre destacava: nós vamos fazer poesias autorais. Eu vou somente mediar. O conhecimento é para vocês, que serão os protagonistas totais.” Para além da escolaAssim, em oficinas criativas, cada aluno criou seus próprios versos, combinando memórias, histórias da comunidade, reflexões sociais e um forte senso de pertencimento. O resultado tomou forma em sarau, mural poético, apresentações dramatizadas e um livreto autoral que encantou todos que o folhearam.O impacto atravessou os muros da escola. Famílias receberam visitas e puderam acompanhar de perto o processo criativo dos filhos. Muitos elogiaram a iniciativa: “Ainda não tinha existido essa proximidade de professores visitando os pais de alunos”, conta Luis. A comunidade percebeu o valor do projeto, e os próprios jovens se reconheceram enquanto criadores.Capa do livreto Versos do Nosso ChãoPara Luís, a iniciativa também foi marcante: “Esse projeto me trouxe a certeza de que eu estou fazendo o que gosto. Fiquei maravilhado, não só pelo reconhecimento da comunidade, mas pelo reconhecimento do próprio aluno.”Da formação à práticaO educador destaca que o projeto ganhou forma e aprofundamento após sua participação no curso gratuito “Metodologias ativas: aprendizes protagonistas”, da plataforma Escolas Conectadas. “A formação foi essencial para a criação da prática, orientada pelo protagonismo dos aprendizes”, afirma.Segundo ele, o curso ampliou sua compreensão sobre inovação pedagógica – especialmente aquela que não depende apenas de tecnologia, mas de escuta, mediação e construção coletiva. “Inovação não é só trabalhar com tecnologia: é dar voz aos estudantes.”A formação lhe deu ferramentas para identificar dificuldades, orientar processos, fortalecer a autonomia dos estudantes e transformar a sala de aula em um espaço vivo de experimentação literária. “O curso ampliou esse campo de experiência, trouxe apoio para nortear mais o aluno e fazer ele reconhecer que é o verdadeiro protagonista do próprio aprendizado.”

0

Com seus celulares, alunos retratam a comunidade e reflet...

Educadora baiana criou projeto de fotografia após realizar a Imersão Ferramentas Digitais na Prática para Professores“Um manifesto silencioso realizado pelos estudantes, por meio das linguagens não verbal (fotos) e verbal (textos).” É dessa forma que a professora de artes Marenice Costa define o projeto Visões do Cotidiano, que implementou com suas turmas do 3o ano do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Estadual Kleber Pacheco, localizado em Salvador (Bahia).A iniciativa propõe que os estudantes captem, através de fotografias feitas no celular, a realidade e os problemas sociais enfrentados pela comunidade Saramandaia, na qual a escola está inserida. Entre essas questões estão a falta de saneamento básico, o descarte inadequado de lixo, o crescimento desordenado e o abandono de animais. “Foi lindo ver o senso crítico desenvolvido por eles, apresentando as questões sociais que estão presentes no dia a dia e que tinham urgência de serem reveladas”, avalia a educadora.Marenice ao lado da exposição Visões do CotidianoRecentemente, a comunidade foi palco de uma tragédia de proporção nacional. No final de 2024, após fortes chuvas, houve um soterramento no local, resultando em quatro mortes – incluindo um ex-aluno da escola. Segundo Marenice, o colégio prestou apoio, arrecadando roupas e alimentos para minimizar as perdas das famílias.Texto e imagem para enriquecer o aprendizadoTambém professora de Língua Portuguesa, Marenice estimulou que, para além dos registros visuais, os estudantes também produzissem um pequeno texto refletindo sobre aquela imagem, como forma de denúncia.Com o material pronto, a professora organizou uma exposição que reuniu mais de 20 fotografias. Inicialmente, duraria uma semana, mas a repercussão foi tamanha que acabou durando um mês. “As imagens foram tão cuidadosamente captadas que muitos visitantes acharam que as fotos não eram autorais”, conta.Fotografia e legenda do aluno Paulo OliveiraA educadora enfatiza que o Visões do Cotidiano não apenas incentivou os alunos a desenvolverem um olhar atento e sensível aos problemas sociais de sua própria comunidade, mas também os colocou como protagonistas. “Eles tiveram a oportunidade de registrar imagens de denúncia e criar narrativas exclusivas sobre os cenários que observaram, enriquecendo ainda mais o aprendizado.”Imersão Ferramentas DigitaisFoi após realizar a Imersão Ferramentas Digitais na Prática para Professores, em 2024, que a educadora teve a inspiração para criar o projeto. Durante a formação, Marenice destaca especialmente o módulo “Use fotografias e vídeos para criar aulas mais atrativas”. “Há algum tempo conheço o Escolas Conectadas. A Imersão foi de grande ajuda na elaboração do projeto, pois apresentou a imagem como um poderoso meio de registro, memória, crítica e expressão — um recurso valioso de comunicação. Oferecer aos alunos a chance de se expressarem por meio da fotografia revelou-se uma estratégia enriquecedora em várias áreas do conhecimento”, reflete.Fotografia e legenda da aluna Edna dos SantosEla ainda cita que a prática com dispositivos móveis para a produção fotográfica está alinhada ao conceito de mobile learning (aprendizagem móvel), que propõe uma educação mais flexível, acessível e personalizada, com o uso de ferramentas como tablets e smartphones. “É um modo de explorar essa tecnologia que está presente na vida de todos: o celular. Embora fotografar e tirar selfies seja algo comum, as orientações aprendidas no curso foram fundamentais. Aprendemos técnicas e dicas inspiradoras para colocar a mão na massa e, sobretudo, colocar as câmeras nas mãos dos alunos.”Este conteúdo integra a seção Conectando Práticas!Assim como outros educadores que concluíram os cursos da plataforma Escolas Conectadas, Marenice compartilhou conosco de quais maneiras a formação impactou positivamente as suas práticas pedagógicas. Quer ter sua experiência divulgada? Faça como elas e preencha o formulário ao concluir o curso!

0