Curso desmistifica e potencializa o uso de dados em sala de aula

14/05/24

Formação “Elementar, meu caro! Dados: um universo em expansão” leva aprendizagem em dados para educadores de forma descomplicada e quebrando preconceitos

Atenção, educadores de todo o Brasil: tem formação nova na área! 

Não é novidade para ninguém que os dados estão por todos os lados: desde o cálculo da população de determinado território à quantidade de plástico que deságua no oceano, ou até mesmo em questões cotidianas como a quantidade de crédito em seu tíquete de transporte ou quantos milímetros irá chover na semana. Mas como esse tema pode ser trabalhado na escola, de forma descomplicada e buscando quebrar paradigmas?

A partir de maio, o Escolas Conectadas oferece gratuitamente o curso “Elementar, meu caro! Dados: um universo em expansão”, com a intenção de estimular uma jornada envolvente e criativa na aprendizagem de dados. A proposta é apoiar você, educador, a trabalhar com seus estudantes habilidades de leitura, análise, interpretação e comunicação de dados.

“Em uma sociedade que se configura cada vez mais como digital, é fundamental que a gente não seja apenas o consumidor de informações digitais, mas que possamos também pensar em como elas são produzidas, entendendo o contexto político, econômico e social que está por trás da produção de um dado. E, mais do que isso, desenvolver uma consciência crítica para ler esse dado”, acredita Monica Mandaji, presidente do Instituto Conhecimento para Todos (IK4T), que apoiou no desenvolvimento do curso.

Leitura crítica

Uma das propostas do curso é abordar a alfabetização em dados, que garante o entendimento de quais deles precisam ser rastreados, tratados e utilizados, seja para a compreensão dos mais variados fenômenos, seja para a tomada de decisões éticas e fundamentadas. 

“Provas e concursos solicitam cada vez mais a interpretação de dados presentes na sociedade, pedindo análise de gráficos e informações, análise comparativa de índices. Isso é leitura crítica de dados, e a partir do momento em que o educador se alfabetiza em dados será possível trabalhar o desenvolvimento da criticidade em dados no estudante”, argumenta Monica.

Muito além da matemática

Por se tratar de números, é comum conectar imediatamente o letramento em dados a disciplinas como matemática e geometria. Porém, é necessário esclarecer que a ciência por trás dos dados vai muito além da matemática. “O algoritmo está ligado aos processos das ciências matemáticas, claro, mas a interpretação de dados é uma ciência social, pois eu olho aquele número e o relaciono a uma situação que está em nosso entorno”, defende a especialista. 

Nesse cenário, a formação se propõe a desmistificar que os dados são ligados somente às carreiras de exatas. “Queremos mostrar que os dados estão em todas as partes, estamos o tempo inteiro sendo bombardeado por dados ou precisamos do conhecimento gerado pelos dados para dar uma resposta aos nossos problemas, em diferentes níveis.”

O que posso esperar do curso?

O curso é autoformativo e possui uma carga horária de 20 horas. Direcionada para os professores de Ensino Fundamental e Ensino Médio, a formação terá certificação do Centro Universitário Braz Cubas e abordará tanto competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) - como Pensamento científico, crítico e criativo e Cultura digital - como competências digitais - como cidadania digital e uso responsável das tecnologias.

“A formação propõe um processo gamificado, mostrando diferentes formas de agir com os dados e quebrando os preconceitos em relação ao letramento de dados. Com base nos materiais e no conhecimento oferecido pelo curso, educadores de qualquer área poderão abrir espaço em suas aulas para essa discussão”, aponta Monica.

Após realizar este curso, é esperado que você, educador, compreenda a importância da educação para os dados e disponha de estratégias criativas para desenvolvê-la com seus estudantes; conheça o ferramental matemático e computacional tipicamente empregado na educação para os dados; aumente seu repertório pedagógico para mobilizar as habilidades de ler, analisar, interpretar e comunicar dados; e, por fim, promova o uso ético e contextualizado de dados para sustentar posicionamentos, ideias, ações e tomadas de decisão.

Comentários:


Escreva um comentário

Conteúdos Recentes

O que faz um(a) professor(a) nas férias?

Dicas para aproveitar o período de descanso para cuidar de si e, aos poucos, retomar a rotina pedagógicaO período de férias é sempre um convite à reconexão. Depois de um ano intenso, marcado por demandas, projetos, imprevistos – e também muitas conquistas –, enfim chega o momento de desacelerar. Para quem vive a rotina escolar, essa pausa não é luxo, mas sim parte fundamental do trabalho. Cuidar do corpo, da mente e do descanso é o primeiro passo para iniciar bem o próximo ciclo letivo.As férias oferecem esse espaço. É tempo de dormir sem despertador, de recuperar a energia, de estar com quem faz bem, de colocar o corpo em movimento e de criar pequenos rituais que ajudam a reorganizar o cotidiano. São pequenas escolhas que reforçam o autocuidado e reduzem o estresse acumulado ao longo do ano.Como aproveitar as férias priorizando o bem-estar: Crie momentos de descanso real, sem culpa;Invista em atividades que renovam a energia: caminhadas, hobbies, eventos culturais;Busque apoio emocional quando necessário e fortaleça redes de convivência;Desconecte do ritmo acelerado da escola e reconecte-se ao próprio tempo.Mas também existe um outro movimento, tão natural quanto o descanso: aquele momento em que, já em meados de janeiro, a mente começa a se abrir novamente para a escola. Não é sobre transformar as férias em trabalho, e sim permitir que a rotina pedagógica volte devagar, com leveza. Uma leitura despretensiosa, uma anotação de ideia para um projeto futuro, a revisão de um conteúdo ou até a participação em uma formação gratuita e on-line podem ajudar a fazer essa transição de forma tranquila.Como retomar aos poucos a rotina pedagógica:Explore leituras leves sobre temas que inspiram o planejamento pedagógico;Revisite anotações e ideias acumuladas durante o ano;Realize formações curtas e flexíveis, que não pressionem o ritmo das férias;Mapeie objetivos pessoais para o ano letivo de 2026. Teste As férias podem ser esse intervalo que recarrega, reorganiza e abre espaço para um início de ano mais equilibrado. Ao cuidar de si e acolher o próprio tempo, é possível chegar a 2026 com mais disposição, presença e clareza para enfrentar novos desafios dentro e fora da sala de aula.

0

Assista à Retrospectiva Escolas Conectadas 2025

Alerta de spoiler: você levou o prêmio principal!Em 2025, os educadores brilharam como verdadeiros protagonistas do cinema. Ao longo do ano, a plataforma Escolas Conectadas apoiou histórias dignas de vencer um Oscar. Por isso, nos inspiramos nas premiações do cinema para reviver os melhores momentos dessa superprodução da educação. Afinal, no palco das escolas, quem brilhou de verdade foram os educadores que nos acompanharam ao longo de mais um ano! Um elenco que inspira, ensina e muda histórias todos os dias.Confira a seguir uma prévia da Retrospectiva Escolas Conectadas 2025, e clique no botão abaixo para assistir na íntegra. Alerta de spoiler: você levou o prêmio principal!😉

0

Projeto utiliza poesia para incrementar relação da escola...

A iniciativa ‘Versos do nosso chão’ ganhou asas após professor realizar o curso gratuito Metodologias ativas: aprendizes protagonistasEm uma escola localizada no assentamento Caxirimbu, na cidade de Caxias, interior do Maranhão, a poesia encontrou um caminho diferente para nascer. Em vez de vir apenas dos livros, ela passou a brotar das memórias e da vida dos próprios estudantes.Assim surgiu a iniciativa “Versos do Nosso Chão”, criada pelo professor de Língua Portuguesa Luís Lima, que acredita que a literatura pode ser um espaço de reinvenção do mundo e de afirmação da identidade. “O projeto foi concebido para valorizar a poesia como forma de expressão cultural e dar voz aos alunos e à comunidade local, resgatando memórias, tradições e experiências do campo”, afirma o educador.Mediação e autoriaO impulso inicial veio de uma preocupação concreta. Após a pandemia, Luís percebeu que “a questão da leitura se complicou mais ainda na minha escola”. Era preciso criar novas pontes entre os estudantes e o ato de ler. Assim, antes de despejarem versos no papel, os jovens mergulharam em obras de autores ligados ao território e à cultura popular, como Cora Coralina e Patativa do Assaré. Depois, saíram para a comunidade: entrevistaram moradores, conversaram com artistas locais, visitaram diferentes expressões culturais e religiosas. Tudo isso para que, ao escrever, pudessem refletir criticamente sobre sua própria realidade. “Vamos romper com a prática de pegar uma leitura já consagrada e praticamente a recriar; vamos ler essas obras para embasar as nossas poesias”, explica o professor.E funcionou. A sala de aula se abriu para novas vozes – inclusive de estudantes mais tímidos. “Quando eu falava para eles, sempre destacava: nós vamos fazer poesias autorais. Eu vou somente mediar. O conhecimento é para vocês, que serão os protagonistas totais.” Para além da escolaAssim, em oficinas criativas, cada aluno criou seus próprios versos, combinando memórias, histórias da comunidade, reflexões sociais e um forte senso de pertencimento. O resultado tomou forma em sarau, mural poético, apresentações dramatizadas e um livreto autoral que encantou todos que o folhearam.O impacto atravessou os muros da escola. Famílias receberam visitas e puderam acompanhar de perto o processo criativo dos filhos. Muitos elogiaram a iniciativa: “Ainda não tinha existido essa proximidade de professores visitando os pais de alunos”, conta Luis. A comunidade percebeu o valor do projeto, e os próprios jovens se reconheceram enquanto criadores.Capa do livreto Versos do Nosso ChãoPara Luís, a iniciativa também foi marcante: “Esse projeto me trouxe a certeza de que eu estou fazendo o que gosto. Fiquei maravilhado, não só pelo reconhecimento da comunidade, mas pelo reconhecimento do próprio aluno.”Da formação à práticaO educador destaca que o projeto ganhou forma e aprofundamento após sua participação no curso gratuito “Metodologias ativas: aprendizes protagonistas”, da plataforma Escolas Conectadas. “A formação foi essencial para a criação da prática, orientada pelo protagonismo dos aprendizes”, afirma.Segundo ele, o curso ampliou sua compreensão sobre inovação pedagógica – especialmente aquela que não depende apenas de tecnologia, mas de escuta, mediação e construção coletiva. “Inovação não é só trabalhar com tecnologia: é dar voz aos estudantes.”A formação lhe deu ferramentas para identificar dificuldades, orientar processos, fortalecer a autonomia dos estudantes e transformar a sala de aula em um espaço vivo de experimentação literária. “O curso ampliou esse campo de experiência, trouxe apoio para nortear mais o aluno e fazer ele reconhecer que é o verdadeiro protagonista do próprio aprendizado.”

0

Com seus celulares, alunos retratam a comunidade e reflet...

Educadora baiana criou projeto de fotografia após realizar a Imersão Ferramentas Digitais na Prática para Professores“Um manifesto silencioso realizado pelos estudantes, por meio das linguagens não verbal (fotos) e verbal (textos).” É dessa forma que a professora de artes Marenice Costa define o projeto Visões do Cotidiano, que implementou com suas turmas do 3o ano do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Estadual Kleber Pacheco, localizado em Salvador (Bahia).A iniciativa propõe que os estudantes captem, através de fotografias feitas no celular, a realidade e os problemas sociais enfrentados pela comunidade Saramandaia, na qual a escola está inserida. Entre essas questões estão a falta de saneamento básico, o descarte inadequado de lixo, o crescimento desordenado e o abandono de animais. “Foi lindo ver o senso crítico desenvolvido por eles, apresentando as questões sociais que estão presentes no dia a dia e que tinham urgência de serem reveladas”, avalia a educadora.Marenice ao lado da exposição Visões do CotidianoRecentemente, a comunidade foi palco de uma tragédia de proporção nacional. No final de 2024, após fortes chuvas, houve um soterramento no local, resultando em quatro mortes – incluindo um ex-aluno da escola. Segundo Marenice, o colégio prestou apoio, arrecadando roupas e alimentos para minimizar as perdas das famílias.Texto e imagem para enriquecer o aprendizadoTambém professora de Língua Portuguesa, Marenice estimulou que, para além dos registros visuais, os estudantes também produzissem um pequeno texto refletindo sobre aquela imagem, como forma de denúncia.Com o material pronto, a professora organizou uma exposição que reuniu mais de 20 fotografias. Inicialmente, duraria uma semana, mas a repercussão foi tamanha que acabou durando um mês. “As imagens foram tão cuidadosamente captadas que muitos visitantes acharam que as fotos não eram autorais”, conta.Fotografia e legenda do aluno Paulo OliveiraA educadora enfatiza que o Visões do Cotidiano não apenas incentivou os alunos a desenvolverem um olhar atento e sensível aos problemas sociais de sua própria comunidade, mas também os colocou como protagonistas. “Eles tiveram a oportunidade de registrar imagens de denúncia e criar narrativas exclusivas sobre os cenários que observaram, enriquecendo ainda mais o aprendizado.”Imersão Ferramentas DigitaisFoi após realizar a Imersão Ferramentas Digitais na Prática para Professores, em 2024, que a educadora teve a inspiração para criar o projeto. Durante a formação, Marenice destaca especialmente o módulo “Use fotografias e vídeos para criar aulas mais atrativas”. “Há algum tempo conheço o Escolas Conectadas. A Imersão foi de grande ajuda na elaboração do projeto, pois apresentou a imagem como um poderoso meio de registro, memória, crítica e expressão — um recurso valioso de comunicação. Oferecer aos alunos a chance de se expressarem por meio da fotografia revelou-se uma estratégia enriquecedora em várias áreas do conhecimento”, reflete.Fotografia e legenda da aluna Edna dos SantosEla ainda cita que a prática com dispositivos móveis para a produção fotográfica está alinhada ao conceito de mobile learning (aprendizagem móvel), que propõe uma educação mais flexível, acessível e personalizada, com o uso de ferramentas como tablets e smartphones. “É um modo de explorar essa tecnologia que está presente na vida de todos: o celular. Embora fotografar e tirar selfies seja algo comum, as orientações aprendidas no curso foram fundamentais. Aprendemos técnicas e dicas inspiradoras para colocar a mão na massa e, sobretudo, colocar as câmeras nas mãos dos alunos.”Este conteúdo integra a seção Conectando Práticas!Assim como outros educadores que concluíram os cursos da plataforma Escolas Conectadas, Marenice compartilhou conosco de quais maneiras a formação impactou positivamente as suas práticas pedagógicas. Quer ter sua experiência divulgada? Faça como elas e preencha o formulário ao concluir o curso!

0